segunda-feira, 27 de setembro de 2010

a) , b) ou c) ?

Por vezes dou por mim a tentar resolver questões de escolha múltipla da minha prória vida. São das mais difíceis e complexas que alguma vez vi. E o pior de tudo? É que ou se sabe ou não se sabe. Aqui não há "estudos intensivos".
É verdade sim, já tentei "copiar" as respostas mas as perguntas são todas diferentes umas das outras. Então aí, percebo que não existe alternativa senão concentrar-me e decidir o que quero.

 a) , b) ou c) ?

Algumas das perguntas obrigam-me a ficar dias e dias a dar-lhes atenção. E o mais engraçado é que por vezes, independentemente do tempo, falho. E não, não existe correcção possível, ou "segundas oportunidades". Quando erramos tentamos simplesmente fixar a alternativa ou perceber o sentido da coisa para mais tarde, se a voltarmos a encontrar, acertar.
Quando erro, normalmente, digo a mim próprio: "como pudeste ser tão estúpido? Tu até puseste em questão a resposta certa!"
É óbvio que existem perguntas que apenas me afectam ligeiramente, mas outras, as mais complexas, conseguem dar cabo de mim. Talvez me sinta um bocadinho culpado por não ter aberto os olhos e visto e visto de antemão todas as "rasteiras" que ela incluía.
Mas um dia percebi que, neste tipo de perguntas de escolha múltipla não interessa se se erra ou não. O que importa verdadeiramente é se estamos conscientes daquilo que queremos, e que mesmo que seja a resposta errada, que ao menos passemos de ano, ou seja, que cresçamos.

sábado, 25 de setembro de 2010

Rebirth, I think.

Era um final de tarde perfeito. O Sol estava tal e qual uma fatia de laranja cortada ao meio. O mar estava calmo, ainda que com alguma ondulação. Só me encontrava eu na praia naquele momento. Eu estava sentado na areia com os pés completamente enterrados. As lágrimas iam-se formando e, até não terem mais espaço onde ficar, começaram a descer pelo meu rosto. As pontas de cada dedo, como que por magia, fizeram com que desaparecessem. Os meus pés começaram então a movimentar-se, em conjunto com todos os músculos das pernas. Estava finalmente em pé a apreciar a vista magnífica que tinha. Comecei a andar e, incrivelmente as lágrimas voltaram a cair, mas com a diferença de que desta vez as deixei sobreviver. Afinal de contas elas acabarim por se fundir com o mar, e aí ninguém ia distinguir o que eram as minhas lágrimas do que era o mar. A areia, conforme caminhava, ia ficando cada vez mais fria e intacta. Os meus pés chegaram finalmente à água, e queriam voltar para trás. Mas começou a saber-me bem, porque o turbilhão de pensamentos que existia dentro de mim acalmou. Não pensava em mais nada. A única coisa em que pensava era: "tenho frio!"
A ganga começou ficar mais escura e as roupas começaram a pesar mais. Passado alguns segundos tinha água pelos ombros. O meu corpo estava numa espécie de anestesia, não o sentia da mesma maneira. Seguidamente parei e olhei directamente para o Sol. Fechei os olhos e deixei  de movimentar os braços e as pernas, o único meio pelo qual ainda continuava a respirar. Cada cabelo estava agora dentro do mar. Eu era agora parte do mar...ou ele parte de mim. Não se ouviam ruídos, apenas o som das ondas por cima de mim. Inicialmente era a única coisa que conseguia ouvir, mas depois comecei a conseguir ouvir o bater do meu coração cada vez mais acelarado. Passado algum tempo comecei a projectar todo o tipo de memórias, recordações, sons e vivências. Era tudo tão rápido que mal me conseguia prender a cada uma delas. Notei uma pequena sensação de calor na zona do meu peito, mas nem esse facto me preocupou. Comecei apenas a sentir-me mais fraco, e por causa do que estava a acontecer, o local onde me encontrava era agora incerto.
Depois, não sei bem como nem porquê, comecei a subir à superfície.
E numa fracção de segundos... inspirei.
O meu coração naquele momento podia ser comparado com o som de uma bateria a meio de um concerto. Logo depois de ter consumido oxigénio suficiente para me manter vivo uma onda veio contra mim e aí, deixei-me ir. 
Não sei quanto tempo durou tudo aquilo, mas o Sol não era mais a metade da fatia de laranja. Depois de ser levado à beira mar pelos braços das ondas, foi tal e qual como se adormecesse. Mas depois voltei a ser puxado à realidade pelo som das vozes que me rodeavam. Eram três pessoas e Nunca as tinha visto, até então! Independentemente disso, salvaram-me.
E estupidamente, sorri.  

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Que brilhante refúgio

Estou aqui, mas enquanto escrevo não estou exactamente "aqui". Estou em locais onde gostava de estar. Estou com pessoas com quem gostava de estar. Estou a pensar no que será a minha próxima refeição, nos planos para o dia seguinte, estou a pensar nas pessoas que amo, e nas que já amei. Inevitavelmente, também vou para locais, para recordações e especulações menos boas.
Mas não sei porquê acabo sempre por esboçar um sorriso ao pensar em tudo isso. Porque, no fundo todas essas mágoas, dores e sofrimento serviram para construir a pessoa que sou hoje, e por muito básico que seja este facto é pura e simplesmente verdade. Se não tivesse passado por tudo o que passei talvez não tivesse o mesmo carácter e talvez não tivesse a força que tenho hoje.
Óbvio que doeu na altura. Mas, felizmente arranjei maneira de pôr a dor a andar. É como se fosse uma batalha, com dois eus.
Um deles diz:
"És tão fraco. É notório."
E o outro diz:
"Não! Não sou! ... Quase que me convenceste mas não o sou, não me conheces, isto não é a minha totalidade"
E acho que é aqui que me formo. Acho que é neste exacto momento em que subo mais um degrau! É aqui que ganho força.
Que brilhante refúgio.
Na minha opinião ser fraco não é cair. Ser fraco é permanecer no chão, e ignorar as mãos que nos oferecem ajuda.

 E na verdade essas mãos que nos oferecem ajuda são aqueles que amei, aqueles que amo, e aqueles com quem estive nos locais em que estou "agora".
Todas as recordações são nítidas, é tal como ver um filme.


Mas não sei porquê acabo sempre por esboçar um sorriso ao pensar em tudo isso.