sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Que brilhante refúgio

Estou aqui, mas enquanto escrevo não estou exactamente "aqui". Estou em locais onde gostava de estar. Estou com pessoas com quem gostava de estar. Estou a pensar no que será a minha próxima refeição, nos planos para o dia seguinte, estou a pensar nas pessoas que amo, e nas que já amei. Inevitavelmente, também vou para locais, para recordações e especulações menos boas.
Mas não sei porquê acabo sempre por esboçar um sorriso ao pensar em tudo isso. Porque, no fundo todas essas mágoas, dores e sofrimento serviram para construir a pessoa que sou hoje, e por muito básico que seja este facto é pura e simplesmente verdade. Se não tivesse passado por tudo o que passei talvez não tivesse o mesmo carácter e talvez não tivesse a força que tenho hoje.
Óbvio que doeu na altura. Mas, felizmente arranjei maneira de pôr a dor a andar. É como se fosse uma batalha, com dois eus.
Um deles diz:
"És tão fraco. É notório."
E o outro diz:
"Não! Não sou! ... Quase que me convenceste mas não o sou, não me conheces, isto não é a minha totalidade"
E acho que é aqui que me formo. Acho que é neste exacto momento em que subo mais um degrau! É aqui que ganho força.
Que brilhante refúgio.
Na minha opinião ser fraco não é cair. Ser fraco é permanecer no chão, e ignorar as mãos que nos oferecem ajuda.

 E na verdade essas mãos que nos oferecem ajuda são aqueles que amei, aqueles que amo, e aqueles com quem estive nos locais em que estou "agora".
Todas as recordações são nítidas, é tal como ver um filme.


Mas não sei porquê acabo sempre por esboçar um sorriso ao pensar em tudo isso.

1 comentário:

  1. Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
    (Fernando Pessoa)

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