sábado, 25 de setembro de 2010

Rebirth, I think.

Era um final de tarde perfeito. O Sol estava tal e qual uma fatia de laranja cortada ao meio. O mar estava calmo, ainda que com alguma ondulação. Só me encontrava eu na praia naquele momento. Eu estava sentado na areia com os pés completamente enterrados. As lágrimas iam-se formando e, até não terem mais espaço onde ficar, começaram a descer pelo meu rosto. As pontas de cada dedo, como que por magia, fizeram com que desaparecessem. Os meus pés começaram então a movimentar-se, em conjunto com todos os músculos das pernas. Estava finalmente em pé a apreciar a vista magnífica que tinha. Comecei a andar e, incrivelmente as lágrimas voltaram a cair, mas com a diferença de que desta vez as deixei sobreviver. Afinal de contas elas acabarim por se fundir com o mar, e aí ninguém ia distinguir o que eram as minhas lágrimas do que era o mar. A areia, conforme caminhava, ia ficando cada vez mais fria e intacta. Os meus pés chegaram finalmente à água, e queriam voltar para trás. Mas começou a saber-me bem, porque o turbilhão de pensamentos que existia dentro de mim acalmou. Não pensava em mais nada. A única coisa em que pensava era: "tenho frio!"
A ganga começou ficar mais escura e as roupas começaram a pesar mais. Passado alguns segundos tinha água pelos ombros. O meu corpo estava numa espécie de anestesia, não o sentia da mesma maneira. Seguidamente parei e olhei directamente para o Sol. Fechei os olhos e deixei  de movimentar os braços e as pernas, o único meio pelo qual ainda continuava a respirar. Cada cabelo estava agora dentro do mar. Eu era agora parte do mar...ou ele parte de mim. Não se ouviam ruídos, apenas o som das ondas por cima de mim. Inicialmente era a única coisa que conseguia ouvir, mas depois comecei a conseguir ouvir o bater do meu coração cada vez mais acelarado. Passado algum tempo comecei a projectar todo o tipo de memórias, recordações, sons e vivências. Era tudo tão rápido que mal me conseguia prender a cada uma delas. Notei uma pequena sensação de calor na zona do meu peito, mas nem esse facto me preocupou. Comecei apenas a sentir-me mais fraco, e por causa do que estava a acontecer, o local onde me encontrava era agora incerto.
Depois, não sei bem como nem porquê, comecei a subir à superfície.
E numa fracção de segundos... inspirei.
O meu coração naquele momento podia ser comparado com o som de uma bateria a meio de um concerto. Logo depois de ter consumido oxigénio suficiente para me manter vivo uma onda veio contra mim e aí, deixei-me ir. 
Não sei quanto tempo durou tudo aquilo, mas o Sol não era mais a metade da fatia de laranja. Depois de ser levado à beira mar pelos braços das ondas, foi tal e qual como se adormecesse. Mas depois voltei a ser puxado à realidade pelo som das vozes que me rodeavam. Eram três pessoas e Nunca as tinha visto, até então! Independentemente disso, salvaram-me.
E estupidamente, sorri.  

5 comentários:

  1. Usa a capacidade que tens. A floresta ficaria silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.
    (Oscar Wilde)

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  2. um ser fraco, deixa-se levar por motivos inúteis, a seres naturais, segue por caminhos incorrigíveis porque naquele momento a tua alma não tem força para movimentar o teu corpo, algo apodera-se de ti quer testar-te e fazer-te corrigir a ti próprio os teus erros, não me perguntes porque que escrevi este pequeno texto, li o teu texto ... Deixei-me levar pela imaginação..
    Parabéns (:

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