quinta-feira, 15 de março de 2012

E o Universo parou para os ver.



- Não me digas que é amor.

- Mas é a verdade.

- O amor, aqui, não é verdade.



Lá estava ela. Presa. Presa a algo que não existia. Presa à ilusão. Ela própria conseguia sentir as raízes a prenderem-lhe o coração e todo o corpo. Ela não se conseguia mover. Sim, mais uma vez ela não se conseguia movimentar.



- Tu amas-me?



Aqui. Neste momento. O medo incorporado na pergunta. O medo incorporado na resposta.



- Eu nunca amei da forma que sempre imaginei. E não te posso amar a ti.

- Dá-me uma razão.

- Porque eu amo-te.



A verdade despida. A mentira desvanecida. Toda a verdade saiu finalmente. As lágrimas eram o pequeno sinal. A explosão. Ela fechava-se de tal forma que a sua própria explosão era incompreensível. Mas era compreensível ela não o amar.

Ela ainda era o passado. E nada está certo quando queremos o passado e o futuro em vez de querermos o próprio presente. Ninguém pode ser feliz. Nem eu. Nem ela. Nem ele. Nem tu.

Ela diz que nunca amou, mas ela ama. E é isso que a impede de amar mais.

O sorriso formou-se no rosto dela. Era mais um sinal. E ele compreendia-os a todos.



- Diz.

- O quê, exactamente?

- O que tu própria queres ouvir.

- O problema é que eu não me quero ouvir dizer que te amo.

- Então tu…amas-me?



A mão dela começou a tremer ligeiramente em conjunto com as duas pernas. Ela caiu sem sequer ter tentado manter-se de pé.

Ele perdeu-lhe o olhar por segundos. Pegou-lhe nas mãos e perguntou:



-Querida, sou eu. Não vês? Sou eu.



Os olhos dela agora eram pequenos cristais a brilhar em direcção ao olhar dele. Foi dos sentimentos mais fortes que ambos puderam viver. Como se todo o Universo tivesse parado para os ver. Como se o tempo tivesse parado para lhes dar o momento porque tanto tinham esperado. Por aqueles segundos de amor e perfeição. Pelo sentido da vida. Pelo resultado final.

Ela abraçou-o. Parecia que nem o oxigénio era mais preciso. A mão finalmente parou de tremer e a sua boca abriu ligeiramente e tocou nos lábios dele.



- Por favor, não me mates.

- Por favor, querida, não te mates. 

Pedro Rei