quarta-feira, 13 de junho de 2012

A espada está virada para mim.

Existe um problema em todas as histórias. E o problema da dela era bastante comum. Com o passar dos anos o problema ia-se agravando, pensava ela. Embora cada vez mais tivesse a capacidade de saber lidar com as situações, o problema para ela permanecia vivo e cada vez mais forte. Mas a meu ver não era apenas um problema central, havia um problema central sim, mas que se alastrava em diversas direcções dando origem a novos problemas. Ela preferia matar um por um do que acabar com o problema principal e desse modo pôr fim a todos os restantes. Ela no fundo tinha conhecimento deste facto, mas para ela doía muito mais mergulhar no centro da questão que ir resolvendo levianamente cada um deles. 
Levianamente, julgava ela. O leviano dela significavam lágrimas e uma bela fatia de sofrimento. 
O problema dela era, e continua a ser, o não conseguir deixar aquela pessoa tomá-la por completo. Ela acreditava  na paixão na sua forma mais intensa e destruidora. Ela sempre que se apaixonava, morria. Ela sempre que se apaixonava tinha a sensação de ter a cabeça do dragão na mão, ou seja de início aparentava ser uma vencedora, mas depois estar morta em pleno campo de batalha. Todos morriam. Todos morriam, incluindo a personagem principal. De que lhe servia a paixão se nem podia nem sabia usufruir da mesma? De que lhe servia a cabeça do dragão se já nem conseguia respirar por ela própria? 
É essa a questão. Ela suga todo o ar envolvido da relação. Deixa de haver oxigénio. A paixão é de tal forma irreal e ardente que termina mesmo antes de ter começado. É rápido, é como uma flecha que mal se vê ser disparada. Ainda mesmo quando ela está morta em campo, consegue ver-se uma pequena lágrima a percorrer-lhe a face. Porque ela sabe que aquela vitória nunca é uma vitória completa, e nunca mais brilhará. 
Peço-vos que antes de lhe arrancarem a cabeça e antes de viverem essa paixão arrebatadora, que olhem nos olhos do dragão e busquem dentro dele algo que vos faça querer viver realmente um amor verdadeiro e real. Se olharem para dentro dele e não houver nenhuma reacção no vosso corpo, não avancem, apenas pousem a espada e caminhem noutra direcção. E não se preocupem que o dragão não vos fará mal nenhum. Quem carrega a violência não é o dragão. Se por acaso o dragão rosnar não se incomodem, porque ele poderá ter visto algo nos vossos olhos, mas infelizmente e por culpa do destino vocês não, portanto deixem-no rosnar porque ele tem direito de demonstrar que está magoado. Mas mais magoado não poderá sair. É esse o lado positivo. 
É tudo um ciclo. É tudo um grupo de pessoas a quererem resolver karmas, de pessoas a quererem amar, outras a quererem ser amadas e ainda outras apenas a quererem descobrir a definição exacta de amor. Mas todos lutam e todos arrancam cabeças pelo mesmo. Uns fazem-no apenas de maneira mais pacífica, outros como vivem apaixonadamente e sem noção das consequências e dos seus próprios actos acabam por ferir os outros, mas o pior nisso tudo é que essa dor vai acabar por lhes doer no próprio coração, e é daí que surge a tristeza e a frustração.  E aqui falo por experiência própria. 
Agora ocorreu-me uma ideia, bastante estúpida. Mas já alguma vez pensaram entregar a espada em vez de a apontarem logo ao início? 
Na minha opinião, no dia em que entregarem a espada, sem medo do que virá a acontecer ou sem medo de acabarem mortos no chão, aí vocês vencem. Porque aí vocês amam, aí vocês são amados e aí vão descobrir a definição de amor. 
Basicamente, aí começam a sentir o sabor da vitória. 

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